domingo, outubro 12, 2008

Ainda Elizabethtown 2

Sem querer manifestar aqui nenhuma posição política, até porque acho cada vez mais difícil acreditar em promessas eleitorais (tendência aprofundada com os anos, que acompanha o ritmo alucinante do aparecimento dos primeiros cabelos brancos e rugas de expressão) mas acho que os homossexuais também têm todo o direito de fazer esta cara de parvos ao telefone. Mais ainda, sacrilégio dos sacrilégios, acho que eles têm todo o direito de tentar viver felizes para sempre, jurar à cara-metade que vão fazer os possíveis para que isso aconteça e ASSINAR A PORCARIA DE UM PAPEL QUE COMPROVA QUE O FIZERAM!
Sim, a minha descrença, bem como o meu tom de voz, estão a aumentar. Admito que existem ainda algumas (honrosas) excepções, daquelas capazes de se levantar em plena Assembleia, contrariando a tendência natural do seu Partido. As mesmas que fazem ver uma luzinha ao fundo de um túnel que se diz socialista, de esquerda, democrático e respeitador dos direitos humanos.

10 Comments:

Blogger White said...

Penso que a questão não seija a do ter um papel que ateste que se vai tentar amar para sempre,,, a questão é que ninguem se quer dar a este trabalho diário e duro de levarmos as nossas ideias até ao fim e verdadeiramente "tentar amar para sempre". È muito mais facil desistir logo ao primeiro problema, ha sempre outra pessoa que nos pode fazer felizes por mais meia hora.
Nunca acreditei no contrato em si, para ninguém, nunca será, do meu ponto de vista, um contrato a criar relacções mais fortes, mas sim a vontade e a cumplicidade, a descoberta e o respeito.

11:35 da tarde  
Blogger Deeper said...

Concordo inteiramente Mr. White, mas estamos a falar de assuntos diferentes. O meu post fala da violação de um direito consagrado pela Constituição da República Portuguesa- o de casar e constituir família. Tu podes perfeitamente ser descrente em relação à união entre duas pessoas, o que não podes é negar-lhes o direito a que o façam. A ironia é tanto maior sendo Portugal o único país da Europa onde a discriminação por motivos de orientação sexual é crime. Contradições de um sistema onde é sempre melhor «não pensar no assunto». O problema é que eu não consigo ser assim. E nem quero!

11:19 da manhã  
Blogger The White Scratcher said...

Estou completamente de acordo que se existe um contrato que se chama casamento ele deve existir indiscriminadamente para todos, independentemente da forma de constituição do casal.
Se há coisa que mais aprecio e em que muito acredito é na união entre duas pessoas. Só duas. O problema é que o salto da cerca é o desporto mais praticado no mundo inteiro, bem mais do que o futebol. Por isso acho que o casamento em si nem deveria existir, porque é a farsa mais antiga na história do homem. Não autorizam casamentos entre mulheres ou entre homens, mas autorizam clubes de swing. Parabéns!
A hipocrisia do poder enjoa-me.

9:37 da tarde  
Blogger pedro said...

Por uma vez o Manuel Alegre merece o meu aplauso. Pelos vistos e dos poucos que no meio daqueles cento e tal deputados (??) ainda pensa pela propria cabeca.

4:10 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

De facto, encontramos por todo o lado,não só na política, muita hipocrisia que, como o significado da palavra indica, se disfarça de muitos outros nomes. Claro que num tema tão "púdico" para a mentalidade nacional, como o do casamento entre gays (e para muita gente, é importante dizer que gays reporta-se a pessoas, a análise no parlamento e a duscussão na população portuguesa foi (quase) que levada "na brincadeira".
Por outro lado, o Partido Socialista, sendo um grande partido, é uma organização plural, onde cabem muitas opiniões e sensibilidades. Certamente, dentro do PS, há muitos outros que não se chamam Manuel Alegre, pessoa que muito admiro, mas que são cidadãos anónimos (porque não fazem parte do estrelato da Assembleia da República) que partilham da opinião contrária aquela que foi a disciplina de voto. No entanto, não deixam de defender os valores da esquerda democrática, socialista, em que acreditam. A Juventude Socialista, que já nos habituou a estar na vanguarda do socialismo em Portugal, pronuncia-se há muitos anos a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo e, desta vez, não foi execpção. Acredito que, em tempo oportuno, tal como no caso do referendo à despenalização da interrupção volunt. da gravidez, Portugal volte a "pular e a avançar."
(PS: deeper, desculpa lá a intervenção um pouco política :)).

Leitão

1:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Deeper q post mais lesbico!

4:48 da tarde  
Blogger Deeper said...

Ai... acho tanta piada quando a cobardia se disfarça no anonimato... És tão engraçado anónimo!

8:42 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Resposta as 4:48
Ás vezes ainda me admiro com a mentalidade tacanha de alguns que até sabem ler e escrever. :)

Leitão

10:25 da tarde  
Blogger Deeper said...

Obrigada Leitão. Ainda bem que fazes parte das excepções de que falas no teu primeiro comentário (o meu pai é outra;) ). Não preciso de dizer que gosto muito de ti, porque tu já estás farto de saber. Beijo!

10:50 da manhã  
Blogger pedro said...

E se o anonimo das 4.48 fosse plantar batatinhas hein?

Quanto as estrelas do grupo parlamentar do PS... Com o Manuel Alegre votaram a Teresa Portugal, a Julia Care e o Pedro Nuno Santos. Mas num inquerito que fiz no ano passado a todos os deputados a aprovacao do casamento ente homossexuais tinha mais ou menos 60 por cento dos 121 deputados socialistas. E claro que estao num grupo e ha que respeitar as regras mas o que fizeram, nesta questao, foi uma hipocrisia. Maria de Belem, Paulo Pedroso, Ana Catarina Mendes, Sonia Fertuzinhos e outros que sabemos que aprovam o casamento entre pessoas do mesmo sexo fizeram fila indiana e como carneirinhos votaram contra o que acreditam. E o que temos...

6:51 da tarde  

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